
Resíduos de demolições na construção civil, qual seu destino?
No Brasil, uma a cada cinco obras, recicla o entulho originado das obras de construção civil e resíduos de demolições.
Sobretudo, podemos definir como resíduos, todo o lixo produzido no canteiro de obras e que por ser tóxico, não pode ser jogado no lixo comum. Contudo, existe uma tabela que classifica esses materiais de acordo com a sua periculosidade:
- Perigosos: são aqueles que devido ao suas características de inflamabilidade e corrosividade, apresentam um grande risco à saúde pública, sendo necessário tratamento especial.
- Não inertes: são geralmente solúveis em água e não apresentam periculosidade, porém não são inertes.
- Inertes: estão nessa classificação geralmente entulhos de demolição, como pedras e areias. Eles recebem este nome pois mesmo quando estão em contato com a água, ela continua sendo potável.

Entulho da construção: um problema de descarte correto (Foto: Franklin de Freitas)
Certamente, grande parte destes resíduos é proveniente das demolições. É muito comum, principalmente nas grandes cidades, a demolição de estruturas e edificações antigas, uma vez que é mais viável economicamente destrui-las e iniciar uma nova, do que as reformar. Existem vários métodos para realizar esse trabalho, como a utilização de bananas de dinamites (quando falamos de grandes construções) até a própria demolição manual com marretas e outras ferramentas, porém isso será assunto para outro artigo no nosso blog.
Separação e triagem
Mas e qual seria a destinação correta desses materiais? Certamente, primeiro devemos nos lembrar que em uma demolição, estão contidos vários tipos de materiais misturados, como canos em PVC, fios elétricos, elementos de alvenaria, placas de gesso, revestimento cerâmico, madeira, aço, esquadrias e outros. Contudo, é possível separar pelo menos, parte disso. As esquadrias por exemplo, dependendo do seu grau de conservação, geralmente é retirada manualmente, podendo ser aproveitada em outra obra ou até revendida pelo demolidor. Também quando possível, pode-se utilizar a demolição manual em alvenarias que não tenham função estrutural, facilitando o processo de separação de canos e fios elétricos.

Demolição mecanizada

Restos de entulhos previamente separados
Destinação correta
Após esse processo de “triagem” é possível separar grande parte desses materiais.
A Resolução 307 do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) estabelece diretrizes para a destinação correta dos entulhos gerados tanto na construção civil, quanto em demolições, reformas e reparos de pavimentação. Conforme o CONAMA, componentes cerâmicos como blocos, telhas e tijolos, deverão ser reutilizados ou reciclados na forma de agregados. Caso não seja possível seu reaproveitamento, deverão ser encaminhados para aterros de resíduos da construção civil. O mesmo destino deve ser empregado em peças de concreto.
Quando falamos de resíduos perigosos, como óleos, solventes e tintas, o destino é um pouco diferente. Existem várias normas das quais instruem o destino e manuseio desses materiais, porém geralmente em cada município, existe uma coleta especial para eles, chamada de coleta de lixo tóxico.
Quais as obrigações para a realização do transporte de resíduos?
A fim de controlar o transporte desse tipo de material, os municípios exigem que seja emitido um documento que legalize encaminhamento dessas cargas. Ele é o MTR (Manifesto de Transporte de Resíduos). Nele é contido as informações do gerador de resíduos, transportador, e o destino do mesmo. O responsável pela empresa transportadora devera entregar uma via ao gerador e outra ao destinatário.
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